10 de jul de 2019

Santa Ingenuidade


Nos idos da década de 1950 o estudo básico do país era dividido em primário, ginasial e secundário.
Lembro que comecei a frequentar a escola primaria em 1955 estudando no Grupo Escolar Ana Gondim. O diretor era o nosso ilustre professor Rubens Ulisséa. Eram sete anos de extrema ingenuidade, normal naquela  idade; muita desinformação, muitos tabus e uma falta de veículos de comunicação que permitissem acesso facilitado a informação. O conteúdo curricular do ensino era exemplar, mas os assuntos extracurriculares inexistiam.
Uma realidade totalmente diferente dos dias atuais. Imaginem que telefone e televisão ainda não existiam nos lares das famílias. É nesse contexto que a escola se inseria na vida dos nossos estudantes.
Tínhamos entre os dois períodos de aula, o Recreio, onde era servido uma  suculenta sopa naqueles canecões esmaltados. Nessa pausa também aproveitávamos para brincar de pegar com os colegas e correr pelas áreas do estabelecimento.  E foi, justamente, numa dessas corridas que sou abruptamente entrelaçado pelos braços de uma menina que me lascou um beijo  no rosto pegando de raspão na minha boca. Por um momento fiquei perplexo e um tanto anestesiado pela sensação gostosa de ser beijado pela menina. Mas quando me recompus, surgiu a preocupação....! Aquela menina poderia vir a ter um neném. Sim, na cabeça daquela criança dos anos 50, a fórmula era simples: beijo na boca= neném.
Voltei para sala de aula sem ter a quem recorrer. Não poderia perguntar a professora e muito menos em casa. Esse era um assunto tabu, até para os adultos, imagina para uma criança de sete anos!
Mas eu poderia contar com a ajuda de um amigo confidente para esclarecer e aconselhar sobre o acontecido- o Peco! Ele conhecia tudo, uma verdadeira enciclopédia- era uma Barsa.
Sabia muito, mas estudava noutra sala. E assim, apos a aula, fui  para casa com aquela preocupação assombrando minha cabeça.  No outro dia, cedinho, fui um dos primeiros a chegar a escola. Lá estava eu no portão do Ana Gondim esperando o Peco. Aquela espera já era uma eternidade quando, finalmente, avistei o meu amigo letrado chutando uma peteca no meio do campinho, vindo em direção ao grupo. Mal cruzou o portão e eu lhe puxei pelo braço para lhe contar o acontecido e de sua provável consequência. Ele olhou pra mim e desatou uma estridente e longa gargalhada. Contrariado e com cara de abestalhado, fiquei imóvel esperando alguma explicação do meu amigo inteligente. Afinal de contas eu precisava de uma luz.
De repente ele parou de rir e soltou sua teoria. Disse-me que nós meninos tínhamos birro para fazer xixi e que as meninas tinham pombinha!  Até aí, tudo bem! Nenhuma novidade pra mim. E continuou seu discurso dizendo que a menina somente poderia ter neném se ela pegasse minha mão e a colocasse na sua pombinha .
Era tudo que eu queria ouvir! Meu amigo Peco me livrou de uma grande preocupação. Mas, por via da duvida, daquele dia em diante, toda vez  que a menina se aproximava de mim eu empurrava minhas mãos no bolso. O seguro morreu de velho.

1 de jul de 2019

Retalhos da memória



Vai longe no tempo a lembrança das noites de verão numa cidade pouco  iluminada. Atraves do  Porto, ainda muito movimentado por navios de pequeno porte, escoava a produção da região, trazidos pelos Trens fumacentos da estrada de ferro Dona Maria Tereza Cristina.
Sobre o Cais, dois potentes guindastes elétricos, responsáveis pelo carregamento dos navios, eram alimentados por uma pequena usina termoelétrica instalada na área portuária, cuja energia residual  iluminava as casas de uma Laguna pouco populosa. Os anos se passaram e aquela capacidade geradora instalada logo foi superada pelo consumo, ocasionando os inevitáveis e sucessivos blackouts. E vez por outra a cidade ficava,totalmente, ás escuras.
Iluminadas pelo clarão da lua cheia, as noites quentes e sem luz eram  refrescadas na amistosa familiaridade dos vizinhos. Sentadas, nas cadeiras enfileiradas em frente as casas,  as pessoas desfilavam animadas  conversas, regadas na simplicidade do cotidiano de suas vidas.
Entre um e outro assunto viajávamos com os olhos fixos na Via Láctea - uma estrada estrelar muito iluminada, desenhada no infinito, e escancaradamente visível, na escuridão limpa daquelas noites de verão.
Eramos uma sociedade de sonhos! Literalmente, "Olhávamos mais para as estrelas que para nossos pés." Como queria, que assim fizessemos, nosso gênio- fisico cosmologo-Stefen Hawkens.
No meio da sala daquela casa, uma senhora, a quem mais tarde reconheci minha avó, tecia sua renda de bilros, sentada de pernas cruzadas, em frente a uma almofada. Sob a luz tênue de uma vela, fazia aos poucos tomar forma, as toalhas que enfeitariam as cômodas e mesas do lar.
O fio com o qual  tecia as toalhas, resultava de um  processo rudimentar preparado através da folha de uma planta, chamada "tucum".
Eu, um menino nos meus oito anos, lembro-me do processo de preparação do fio.
A folha era desfiada numa madeira cheia de pregos e colocada para secar, ao sol. Com o auxilio do "rufo" - uma espécie de pião com uma grande aste, confeccionava-se a linha. Prendia-se o fiapo desfiado do tucum neste instrumento e rodava-se até a formação de um tipo de barbante fino e  resistente. Era um conhecimento da  cultura  indígena que, tempos atrás ainda existia, como tradição, na nossa comunidade da Barra  e atualmente é preservada nas comunidades açorianas da Ilha-Capital.
Naquele tempo, de valorização da convivência em grupo, as conversas eram presenciais e aconteciam no cara a cara. Fazia-se amigos com mais facilidade. Reuníamos pelo simples prazer de ver e conversar com os amigos sobre os diversos assuntos da semana. Lotavamos as sessões de cinema do Cine Mussi, as missas da matriz, as reuniões dançantes do SESC, as festinhas americanas e até o Jardim Calheiros da Graça para apreciar o desfile da meninada.
Na antiga Venda adquiríamos alimentos e demais necessidades domesticas, e o proprietário fazia anotação das compras em cadernetas, cujos valores, eram devidamente saudados pelos clientes a cada fim de mês.
A comunicação, a distancia, a disposição da sociedade era a escrita (carta e telegrama) via correio e o telefone.   Uma carta para a capital demorava, no mínimo, dez dias para chegar ao destinatário, enquanto as ligações telefônicas eram solicitadas na central telefônica da companhia. A telefonista fazia a ligação e transferia para o numero solicitante.
Os processos de elaboração de produtos eram manuais e as maquinas das linhas de produção  funcionavam  por meios mecânicos. Não se imaginava a existência da  eletrônica que viria, mais tarde, revolucionar a indústria.
Uma realidade distante da vida atual e diferente das produções em série que, mais tarde, alimentariam o comercio e surgiriam para mudar, definitivamente, o modo de vida das nossas cidades modernas.
Com o desenvolvimento perdemos o olhar das estrelas para ganharmos a eficiente iluminação artificial das hidrelétricas; e um combo cujo pacote inclui uma cidade cheia de automóveis em estacionamentos lotados, e pessoas apressadas querendo chegar a lugar nenhum. As cadeiras em frente as casas foram recolhidas para as salas de estar das famílias e, hoje, as conversas versam muito mais sobre os programas padronizados das televisões, principalmente aqueles relacionados ao mundo das telenovelas. 
Mais recentemente, o desenvolvimento tecnológico, trouxe para a palma de nossas mãos um volume de conhecimento e informação  quase instantâneo - O celular.  Digitamos mais através de emails e aplicativos e conversamos menos. Com os olhos presos nos aplicativos de conversação, onde quer que estejamos, ignoramos os acontecimentos ao  nosso redor.
O mundo da internet  abriu um leque de possibilidades jamais imaginada até mesmo por seus criadores. Compra-se de tudo virtualmente, no cartão de crédito, com entrega em domicilio, sem a necessidade de  conhecer o estabelecimento ou conversar com o vendedor.
Se por um lado essas vantagens contribuem positivamente para o aprimoramento intelectual e informativo da sociedade, de outro modo elas podem estar interferindo nas relações entre as pessoas, provocando um tipo de isolamento voluntário, capaz de nos deixar tomar gosto pela solidão.
E diante de toda essa mudança criada pela ciência que nos fascina, um incerto enredo para o futuro, se descortina  impondo a pergunta que o consagrado samba, nos setencia: Como será o amanhã? Responda quem puder. O que irá nos acontecer? Nosso destino será como Deus quiser.....
 

30 de jun de 2018

Um amigo chamado Frodo.

Era um amigo inseparável! Não entendia muito o que se passava na nossa cabeça mas estava sempre pronto para obedecer. Sua percepção aguçada permitia-lhe sentir nossos momentos de tristeza ou aborrecimento e se recolhia para um canto qualquer.  Nessas horas não se sentia sua presença. Nunca reclamava das broncas que levava e estava sempre disposto a perdoar.
Nas diversas vezes que veio me visitar sentiu-se em casa. Era o primeiro a se postar próximo a porta na hora do passeio.
Vamos passear? Esta era a frase mágica que o deixava feliz e com olhos reluzentes. Frodo nos deixou muito rápido. Surdo, cego e com uma dificuldade enorme para se locomover permaneceu silencioso no seu sofrimento; não deixou escapar no seu  ambiente familiar, nenhum gemido de dor. Foram quatorze anos de amor incondicional doado aqueles  que partilharam da  sua convivência. Frodo, nosso cachorrinho estimado, nos deixou muito rápido. Foi como se tivesse pego carona na cauda de um cometa e sumido ,repentinamente, pela imensidão do desconhecido. Deixou muito de si e um profundo vazio no nosso coração. Levou muito pouco de nós, pobres humanos, que  estamos longe de aprender a lição de humilde, resignação e amor incondicional, incansavelmente, demonstrado pelo nosso Frodo. Descanse em paz, querido cachorrinho!

19 de mai de 2017

Uma nova chance

Tudo seria igual aos outros dias se não fosse aquela fatídica segunda-feira. Foi um evento tranformador da maneira como se desenrolava os acontecimentos na minha vida.
As preocupações a atormentar minha mente,  o ritmo da cidade acelerada forçando a passagem para um futuro incerto em suas perspectivas e aquele punhado de sonhos que as contingências da vida e a urgência do tempo, não permitiu realizar.
O transito caótico e um corre-corre de pessoas querendo chegar a lugar algum parece sempre denunciar a descrença na possibilidade de um outro amanhã.
E os dias se sucederam assim.... presenciando as mesmas histórias construidas pela saga de diferentes pessoas, vindas de diversos lugares para habitar essa linda e conturbada cidade.
Nos ombros, o peso de um fardo, molhado por noites mal dormidas; e no peito a tristeza de ver a esposa, amiga, companheira e mãe, amor primeiro de minha vida, numa interminável luta contra uma doença que a ciência ainda não desvendou.
E meu coração banhado no romantismo dos consagrados anos dourados onde a cuba livre da coragem incentivava  jovens sonhadores a dançar de corpos colados, não suportou vivenciar tantas mudanças acontecidas por todas essas decadas e cedeu a pressão a que fora posto, à prova,  sucumbindo diante de uma UTI na SOS Cardio. Foram sete eternos dias de tratamento intensivo que culminou com um procedimento de angioplastia.
Quiz o criador, senhor dos mundos, que eu continuasse minha viagem nesse trem da vida, valorizando, ainda mais, cada chegada e cada partida até a parada na estação derradeira onde nosso espirito repousará na eternidade.

19 de nov de 2016

A Orquídea

Resultado de imagem para fotos orquideas roxas tres flores no galho O ritual sempre se repete a cada primavera. De um simples ramo, que parecia, seco quase morto, a orquídea voltou a florescer, novamente, aqui em casa deixando o ambiente mais alegre com as suas três bonitas flores roxas. É a tríade da vida que parece brotar do nada, querendo nos mostrar  que a coragem, a força e a perseverança são ingredientes importantes para os embates diários da vida.  Nós também somos orquídeas. A única e essencial diferença é que não esperamos pela primavera. Porque Deus nos deu a faculdade de florescer todos os dias.   Quando parecemos vencidos ressurgimos com força redobrada para vencer os obstáculos que, inexplicavelmente, atravessam nosso caminho. E quase sempre não temos como evitá-los; eles surgem, sem aviso prévio, numa  dessas esquinas  escuras de nossa caminhada.
É assim que se comporta a  orquídea guerreira que habita meu coração. Ela ensina, com sua luta diária,  a guerrear o bom combate. Sua força e perseverança nunca a deixarão acreditar em batalha perdida .Vive, intensamente, o hoje sem esperar pelo amanhã, atravessando as estações como se  fossem primaveras.
E por acreditar que as coisas de Deus são para todos, alimentamos a esperança na cura. Porque nascemos revelando aquilo que nós mesmos esquecemos: Estar vivo é nosso maior presente.

17 de ago de 2015

O problema

Dia desses meu irmão me enviou, via wattsap, um problema matemático no qual sobre uma balança, se revezava para pesar, um cachorro, um coelho e um gato. E perguntava, no final, qual o peso de cada animal. Confesso que não me ative à resolução ao que meu irmão acusou tratar-se de um problema que poderia ser resolvido aplicando-se três equações com três incógnitas. E também me chamou atenção para a decepção que nossa,  já falecida, professora de matematica do CEAL, Dona Elza sentiria,  se soubesse dessa falta de conhecimento   de seu ex- aluno. Provavelmente esse meu vacilo diante dessa questão seria motivo de contestação daquela querida mestra, acerca do meu aprendizado. Mas aquelas questões que ,naquele tempo,pareciam complicadas eram sempre solucionadas na conversa com o colega de classe ou no socorro da professora. A verdade é que o tempo passou e a vida seguiu seu curso. E os conceitos matemáticos aprendidos no quadro negro do CEAL permanecem escondidos nos meus arquivos de memória. Somente os recupero quando encontro algum amigo para revirar as bonitas lembranças de juventude.
Os anos se passaram, e a idade se debruçou sobre meus ombros mostrando a dura realidade da vida.
Os problemas mudaram na sua forma e conteúdo exigindo muito de nós devido as suas complexidades. Eles agora vem acompanhado de elementos que não encontram mais respostas na pura aplicação racional das fórmulas matemáticas. 
E o problema que afeta diretamente minha vida, atualmente, vem tomando e consumindo todo o meu tempo e minha energia. Tento de todas as maneiras, desesperadamente, me abastecer de informação na tentativa de solucioná-lo.
Descobri que nem a ciência, por enquanto, conseguiu ainda uma equação capaz de resolvê-lo. Mas alimento a esperança que a solução apareça logo como fruto da pesquisa de um desses estudiosos iluminado por Deus.
O tempo teima em se apressar e os pesquisadores vem se desdobrando na procura de uma fórmula que  permita a solução definitiva.
Mas se ainda assim tudo falhar, restará por fim, a fé num milagre que só o criador será capaz de operar.
Quanta saudade tenho daqueles problemas de matemática da professora Elza lá do nosso CEAL.

30 de dez de 2014

A Viagem


Foram oito horas de voo direto, entre São Paulo e Miami. Uma viagem um tanto cansativa, mas instigante pelas novidades e descobertas que encontrávamos por onde passávamos. A viagem de Miami a Orlando, nosso destino final, num automóvel confortável e espaçoso foi nos revelando aos poucos a beleza das estradas e da estrutura que a administração americana põe a disposição do seu cidadão. O Duarte e a Fabiana pareciam cidadãos americanos, tamanha a desenvoltura com que dirigiam e tratavam o idioma Ingles. Na localidade de Kissimmee, já na cidade de Orlando, uma casa confortável num condomínio fechado, o Windsor Palm, nos esperava equipada com todas as condições tecnológicas modernas, inclusive internet.  Não foi necessário contatar  pessoas ou responsáveis. Era só apresentar as credencias na entrada do condomínio e digitar a senha, criada quando da locação ainda no Brasil, na fechadura da porta. E eu lembrei de como é difícil locar uma casa aqui no nosso Pais. Uma papelada desgraçada, vistoria para entrar e para sair. Uma afronta a dignidade do brasileiro.
Mas estávamos nos EUA para visitar a fabrica de sonhos da Disney. O Magic Kingdom, O Animal Kingdom, o Epcot  e também a Legoland o Hollywood Studios e o  Universal Studios. Neste ultimo, o que chamou a atenção foi a construção do ambiente do filme Harry Potter. As ruas e casas foram edificadas tal qual no filme. No passeio por entre as ruelas de Londres encontra-se o Beco diagonal com um dragão sobre o telhado do prédio expelindo labaredas de fogo, e paramos para saborear a famosa cerveja de manteiga. O castelo de Hogwarts, a escola de bruxaria, foi fielmente retratado. Ali, como na série, cria-se a ilusão que passamos por uma parede de tijolos quando vamos em direção a estação de trem que nos levará a Hogsmeade, o vilarejo bruxo da Grã Bretanha. Por ultimo ainda ,nos aventuramos numa viagem multidimensional sobrevoando os arredores do castelo acompanhados por Harry Potter e seus amigos.
O Henrique estava eufórico e ficava, as vezes aflito, para ir nos brinquedos radicais. Foram muitas as montanhas russas e elevadores que despencavam em queda livre, como o do Hollywood tower onde um mordomo sinistro incitava o pessoal.
No Magic Kingdom, entre tantas atrações destaco a fantasia do filme Frozen que foi mostrada pelo musical em frente ao castelo, ao cair da tarde, com a presença da princesa Elza e Ana e da rabujenta feiticeira. A divina Luisa, nem piscava, quando no auge da apresentação, os fogos de lágrimas clarearam o céu e o castelo congelou, literalmente sob o efeito da avançada tecnologia empregada no jogo de luz que proporcionou o espetáculo. Visitamos miniaturas de lugares turísticos de importantes cidades americanas,  montadas em Lego, além de inúmeros jogos no parque Legoland.
Nm passeio pela floresta tropical Africana, no parque Animal Kingdoom, com um jeep devidamente caracterizado para um Safari nós apreciamos os animais e seu habitat.
A passagem pelo EpCot foi mais uma aventura emocionante. A palavra é um acrônimo para Comunidade Protótipo Experimental do Amanhã; uma cidade utópica do futuro planejado por Walt Disney.
O Spaceship Earth é um passeio dentro de um tunel que mostra a história da comunicação humana desde a idade da Pedra até a Era dos computadores.
Quando fomos para o brinquedo Mission Space o Henrique tomou o controle do foguete e decolou com o vovô Mauro e a vovó Nilba rumo ao espaço detonando meteoros com seu canhão de raios laser e abrindo caminho para o infinito. Uma emoção de tirar o folêgo.
No Soarin, um voo de asa Delta, multidimensional, sobre as paisagens da Califórnia é uma sensação fantástica. Passa-se sobre os Canions, Lagos, Plantações, mares e cidades. Para se ter a verdadeira dimensão daquela realidade virtual, sente-se o cheiro da laranja quando se está voando pelos pomares.
No EpCot também experimentamos a variedade das comidas tipicas das diversas nacionalidades. No la Cantina de San Angel provamos a autentica comida mexicana. No Chefs de France a famosa sopa de cebola e a perrie foram os destaques. A carne de cordeiro e o cuscus marroquino do restaurant Marrakesh foi acompanhado pelo show da dança do ventre interpretado pela bonita dançarina.
Fora dos parques, Orlando mostrou sua ótima infra estrutura turística. Estradas, hotéis e a organização e disciplina do povo.
Conhecemos os grandes Supermarkets e os outlets onde são comercializados marcas como: Tommy Hilfiger, Victoria Secret, Calvin Klein, Lacost e uma variedade de produtos de ponta com preços acessíveis no varejo. Visitamos também, as redes de restaurantes Chesecake Factory, Olive Garden e Red Lobster. 
Uma viagem para ficar para sempre na memória e nas imagens gravadas pelas lentes da nossa máquina fotográfica. Chama a atenção a organização, disciplina e educação do povo americano. Quem sabe um dia conseguiremos nos livrar dessa parafernalha corrupta que assola o país e nos tornemos uma grande nação.
Quem sabe!
Feliz Ano Novo a todos.

21 de abr de 2014

Peixada dos Pereira

Num sábado de sol escancarado atravessei, à balsa, o canal que liga o Magalhães a Ponta da Barra. Lá encontramos uma comunidade lagunense que guarda muito no seu cotidiano, as características de nossos colonizadores portugueses. Os grupos folclóricos do boi de mamão, da bandeira do divino, dos ternos de reis, graças a Deus, ainda sobrevivem nos costumes daquele nosso pedaço de terra habitado por uma gente acolhedora e fraterna. Um  povoado que cultiva, com sabedoria, nossas heranças açorianas sem, contudo,  negligenciar a modernidade de nossos dias.
A travessia, por si só, já é um passeio para encher nossos olhos. De cima da balsa colhemos uma visão diferente do cais do porto e do corredor de agua que desagua no mar, através da boca da barra.
Uma outra maneira de observar a paisagem lagunense. 
Mas o propósito do passeio, além de admirar a beleza do lugar,  era a " peixada dos pereira". Uma reunião,como não poderia deixar de ser, regada a peixe, idealizada e organizada pelo Tavinho para reunir os irmãos. O local, um chalé próximo a prainha do Seis, de tão aconchegante e bonito não pode passar despercebido aos comentários  dos presentes. O canal que separa o molhe norte, corre logo abaixo da janela do sobrado e o morro da barra ao fundo, deixam aquele pedaço especialmente bonito e reservado para um encontro daquela natureza. E lá estávamos, nós, sete irmãos reunidos numa algazarra muito  particular rodeado de sobrinhos, filhos, netos, cunhadas e alguns amigos, bagunçando um pouco o silencio daquele lugar mágico.
Enquanto a conversa rolava facil entre familiares e convidados e o peixe super cheirava na churrasqueira supervisionada pelo idealizador do evento o Marcio aproveitava para relembrar seus velhos tempos, tentando abrir a tarrafa lá na ponta do espigão. As meninas dos anos setenta, improvisavam brincadeiras e tentavam organizar  os irmãos para as fotografias e filmagens do Guilherme.  Foi quando dona Amená, uma senhora simpática e de sorriso fácil, chegou com um ensopado de peixes, especialmente, preparados para aquela ocasião. O almoço, entao, foi servido e a descontração não teve mais idade.  É nesse clima que o China, muito chegado num bom som, sacou de um violão e começou a tocar as músicas que acompanhou a festa até o sol se por, no final daquela tarde. O Guilherme registrou tudo na memória da sua máquina. O que resultou na gravação de um DVD, muito bem editado, que me foi presenteado pelo Marcos.  A Peixada dos Pereira foi um evento  que marcou, mais uma vez, a importância da lição de união legado por nossos pais. A barra do tempo sobre nossos ombros aconselha que muito mais que antes, devemos celebrar a vida. Até a próxima peixada, Pereirada!

20 de jan de 2014

Explicações....



Essa é muito boa...! - do Blog “As crônicas do João” texto escrito por  João Paulo da Silva.


Explicações.....

- E agora no nosso programa “Alô, Seu Otário!” a gente conversa ao vivo com o prefeito Armando Cilada. Ele vai falar um pouco sobre as providências que estão sendo tomadas pela Prefeitura para resolver os principais problemas da cidade. Boa tarde, prefeito. Muito obrigado por aceitar nosso convite para dar alguns esclarecimentos à população.

- Boa tarde a você, Rogenildo, e a todos os telespectadores do seu programa. Eu é que agradeço o espaço para mostrar o trabalho que estamos desenvolvendo.
(...)
- Prefeito, nós temos muitos e graves problemas nos serviços públicos essenciais do município. Nossos repórteres foram às ruas ouvir a população e ver de perto as dificuldades enfrentadas. Na rede pública de saúde, por exemplo, as condições são dramáticas. Todos os dias nós recebemos denúncias de falta de medicamentos nos postos da cidade. Hoje mesmo um idoso deixou de tomar seu remédio para pressão alta porque não tinha na farmácia do posto. O que o senhor tem a dizer sobre isso?
- Olhe, veja bem, em primeiro lugar, a situação não é exatamente assim. Não é que não tem remédio no posto. Tem sim. Mas acaba rápido porque o povo toma remédio demais. Qualquer dorzinha corre logo pra pedir um comprido. Desse jeito não dá. Antes, não era assim. A gente tomava um chazinho e tava tudo certo.

- E quanto ao caso do idoso com pressão alta? Chazinho também?

- Aí é diferente. Aliás, tem que investigar o porquê da pressão dele estar alta. Andou comendo muito sal? Se excitou demais? Tem que saber. Nessa idade, tem certas coisas que não dá mais pra fazer como antigamente.

- Mas, prefeito Armando, independente disso, o município não tem que garantir atendimento e remédio para todas as pessoas? Não é obrigação oferecer saúde pública?

- Essa é outra confusão que se faz, Rogenildo. O povo acha que só porque paga muito imposto pode ter todo tipo de direito. E não é assim. Tão pensando que isso aqui é o quê? A casa da mãe Joana? Que é só chegar no posto e ser atendido? Que pode fazer exame a hora que quiser? Que o médico tem que sempre estar lá pra receitar o remédio? Não pode ser assim. Aí vira bagunça.

- O senhor falou agora sobre atendimento e nós queríamos confirmar uma informação que nos chegou mais cedo. A Prefeitura fechou mesmo dois postos de saúde na Zona Norte da cidade?

- Olhe, veja bem, a informação está incompleta. Nós só fechamos porque não tinham nenhuma utilidade.

- Nenhuma utilidade? Como é possível, se o que a população mais reclama é da falta de atendimento, da falta de médicos e outros profissionais?

- Exatamente. Não tinha nenhuma utilidade porque não tinha ninguém pra atender as pessoas. Por isso, fechamos.

- E não teria sido melhor contratar mais profissionais do que fechar os postos?

- Não posso dizer com certeza agora. Precisaria fazer um levantamento acerca da necessidade, do impacto na folha, essas coisas. É preciso ter responsabilidade com a máquina pública.

- Para você que ligou a TV neste momento, estamos conversando aqui, no programa “Alô, Seu Otário!”, com o prefeito Armando Cilada sobre as condições dos serviços públicos e o trabalho que a Prefeitura vem desenvolvendo. Bom, prefeito, e a educação? Nossos repórteres também encontraram uma situação complicada nas escolas. Os alunos estão fazendo rodízio de aulas por falta de carteiras e de professores. Como o senhor explica essa realidade?

- Engraçado. Tem rodízio em todo canto. Tem rodízio na pizzaria. Tem rodízio na churrascaria. Aí quando tem rodízio na escola o povo acha ruim?! Eu não entendo isso. As pessoas precisam ver o lado positivo da história. Há uma razão lógica para termos rodízio de aulas na nossa educação.

- E qual seria?

- Veja, Rogenildo, com o rodízio a Prefeitura quer estimular a solidariedade entre os alunos, desde criança. Olhe que bonito é dividir a carteira com um colega de sala. Que belíssimo ato é abrir mão de dois ou três dias de aula para que outro aluno possa ir à escola. Devemos ser mais solidários. O mundo é muito egoísta.

- E a falta de professores?

- É como eu disse antes. Precisaria fazer um levantamento acerca da necessidade, do impacto na folha, etc etc. Tem que ter responsabilidade com a máquina pública. Não pode sair gastando só pra contratar professor.

- E o transporte escolar? As pessoas reclamam que não há ônibus para levar os alunos até as escolas.

- Essa é mais uma incompreensão do povo, que não vê o bom trabalho que estamos fazendo na cidade. Observe com atenção. Os médicos dizem que caminhar faz bem à saúde, que temos que fazer exercícios físicos regularmente. Então pensamos: por que não começar a educar de agora as nossas crianças para que tenham hábitos saudáveis? Foi por isso que criamos esse programa que integra saúde e educação ao mesmo tempo.

- Como chama o programa?

- “Só no Sapatinho”.

- Não é um pouco forçado, prefeito? Há escolas que ficam muito longe das comunidades.

- Eu não acho. Que mal pode haver em caminhar uns quatro ou cinco quilômetros até a escola todos os dias? Não vê os quenianos?! Fazem tudo correndo e estão aí vivinhos e saudáveis.

- Mas e a irregularidade da merenda nas escolas? O senhor vai dizer que também não é bem assim? Nossa equipe flagrou os alunos comendo apenas três bolachas de água e sal com um copo d’água. É algum outro programa da Prefeitura?

- Exatamente. Veja bem, nossas crianças estão obesas. Comem muita porcaria e isso põe em risco a saúde delas. Portanto, mais uma vez unindo duas áreas prioritárias no meu governo, que são a saúde e a educação, desenvolvemos o programa de reeducação alimentar “Água e Sal”. Com ele, os alunos estão aprendendo a se alimentar melhor e de forma mais saudável. Três bolachas e um copo d’água são suficientes para manter as energias durante as aulas, basta não se mexer na carteira, abrir pouco os olhos e não falar muito.

- Estamos conversando com o prefeito Armando Cilada, direto aqui dos estúdios do nosso programa “Alô, Seu Otário!”. Bom, prefeito, nosso tempo está quase se esgotando, mas eu não poderia deixar de abordar o tema do transporte coletivo. As pessoas tem reclamado bastante do transtorno que é usar os ônibus na cidade. Nossos repórteres acompanharam o dia a dia dos passageiros e registraram diversos problemas no sistema, como o longo tempo que as pessoas esperam nas paradas para pegar os ônibus. A demora chega a durar 40 minutos, uma hora. O que está acontecendo?

- Olhe, Rogenildo, vou ser bem sincero, como tenho sido até agora. Existe muita maldade e incompreensão. Todo mundo espera até nove meses pra nascer e ninguém morre por isso. Será que não dá pra aguardar 40 minutinhos ou uma hora? Não acredito nisso. E outra: quem espera sempre alcança, já diz o ditado.

- Mas, prefeito, além da demora, ainda tem a superlotação dos ônibus, que causa mais sufoco ao passageiro.

- Eu não vejo dessa forma. Somos um povo que adora dar e receber calor humano. Gostamos de acolher o próximo. Precisamos desse contato mais íntimo com as pessoas. E esta é uma experiência sociológica riquíssima que acontece todos os dias nos ônibus de nossa cidade. Viaja todo mundo ali, apertadinho, espremidinho. Conversando de perto. Quantos romances não começaram numa encoxada?! Pra quê exigir mais ônibus nas ruas? Pra quê acabar com isso?

- E a tarifa? Não estaria muito alta para um povo que já tem uma vida tão difícil?

- Difícil é a vida dos donos das empresas, Rogenildo. É de dar dó. Estão com a cuia na mão. Mal conseguem manter os ônibus circulando. Não lucram nada. Eu sou testemunha. Fui jantar na casa de um deles outro dia e me serviram um caviar de segunda. Você acredita?

- Bem, por fim, há o problema da dupla função do motorista, que também é cobrador de ônibus? As empresas não estariam explorando demais esse trabalhador? É seguro viajar desse jeito? Não haveria risco de acidentes pelo fato de realizar duas atividades ao mesmo tempo?

- Só se ele fosse um retardado. No cinema, por exemplo, você assiste ao filme comendo pipoca e tomando refrigerante, e nem por isso enfia o canudo no olho ou uma pipoca no nariz. Não tem risco de acidente. E onde o povo vê exploração, eu vejo promoção. Antes, ele era só motorista. Agora, é motorista e cobrador. Foi promovido. Deveria ficar feliz.

- Então é isso, pessoal. Estamos chegando ao fim de mais um programa “Alô, Seu Otário!”. Esperamos que o prefeito Armando Cilada tenha ouvido as vozes das ruas e possa resolver os problemas de nossa cidade o mais breve possível. Podemos assumir esse compromisso público?

- É claro, Rogenildo. Por enquanto ainda não vi nada de errado, mas me comprometo a fazer um levantamento sobre os reais problemas da população, ver o impacto disso na folha, a aplicabilidade, essas coisas. Por que você sabe, né? É preciso ter responsabilidade com a máquina pública.


25 de dez de 2013

Uma história de Natal



Aqui estou eu bem no meio de dezembro. Shoppings lotados, pessoas apressadas, perdidas entre pacotes de presentes comprados na ultima hora.  Nesta época, quando tantas hiprocrisias se purgam com votos de felicidades da boca para fora eu me ponho a pensar na inocência das crianças que ingenuamente apostam suas esperanças no presente que papai Noel deixará em suas portas. Doce ingenuidade aqueles sonhos que sempre estão a iluminar a mente sagrada de nossos pequenos. Dia desses conversando com o Henrique -meu neto- agora já um moço com oito anos-  me fez lembrar de um  desses maravilhosos natais, onde me pedira, como sempre era de costume, que lhe contasse uma história de natal. E eu não pensei duas vezes. Contei-lhe, naquela ocasião, uma história inusitada.
_ Papai Noel recolhido na sua casa próximo ao polo norte estava muito ocupado carregando seu trenó para distribuir presentes numa vila de crianças pobres. A neve tinha parado de cair, mas, a paisagem continuava toda branca tal como as fotos de cartões de Natal que chegam por aqui nessa época do ano. Os pinheiros, todos coberto de branco, pareciam refletir a silhueta do bom velhinho. 
No céu uma lua imensamente clara  iluminava todo aquele ambiente de sonho. E Papai Noel começou a encilhar as renas-8 ao todo- para poder puxar aquele trenó carregado.  La pela Meia noite o bom velhinho partiu em direção a vila para entregar os presentes para as criancinhas. Mas nem tudo era tranquilidade. Numa caverna próxima dali uma quadrilha de maus feitores se reuniam para assaltar o carregamento da bondade dirigido pelo nosso velhinho. O Coringa, o Pinguim, o Charada e o Duas caras  arquitetavam um plano diabólico para roubar o Papai Noel. Quando o trenó do velhinho contornava a estrada ao redor do ultimo desfiladeiro coberto de neve, antes de chegar a vila, a turma liderada pelos anti-heróis tomaram a frente do comboio anunciando o assalto. As renas assustadas começaram a pular desordenadamente e papai Noel, sem saber o que fazer, já estava por entregar a carga de presentes, quando uma parte da lua começou a escurecer e um grande morcego começou a se formar bem no seu centro. Um barulho ensurdecedor de um motor a jato surgiu do nada e o Batman apareceu arremessando seu bumerangue de fogo afugentando com toda aquela corja de ladrões. O homem morcego, como sempre foi de seu feitio, saiu assim como chegou, misteriosamente, sem revelar sua identidade.  Agiu como todos aqueles heróis que, deliberadamente, praticam o bem sem que saibamos quem são.
E Papai Noel pode cumprir mais uma vez sua missão. Distribuindo os presentes a todas aquelas criancinhas pobres da vila.
Henrique, sorriu ao lembrar da história de Natal. Certo que apesar de todo o mau exemplo que se ve estampado em programas de  TV’s e páginas dos nossos jornais a prevalência dos bons princípios e a retidão de nosso caráter ainda são instrumentos que norteiam o comportamento das pessoas.

Feliz Natal a todos os leitores do papodaesquina